Ota realiza sessão sobre biometano com a presença de mais de 50 pessoas
Mais de meia centena de pessoas participaram, na noite de 10 de setembro, numa sessão pública dedicada à futura central de biometano das Marés. A iniciativa foi promovida pela Freguesia de Ota e pela comissão de moradores e decorreu no Centro Social Recreativo e Desportivo de Ota.
A sessão teve como principal objetivo informar e mobilizar a população para as questões relacionadas com o projeto da central de biometano, nomeadamente os possíveis impactos ambientais, na qualidade de vida das populações e nas acessibilidades da zona.
Na abertura dos trabalhos, André Texugo, presidente da Freguesia de Ota, abordou o Estudo de Impacte Ambiental associado ao projeto e apontou várias preocupações manifestadas pela população. Entre os principais temas estiveram a possibilidade de odores, o aumento da circulação de veículos pesados, a proximidade da infraestrutura às habitações e os potenciais efeitos sobre as linhas de água.
Durante a sessão, foi também deixado um apelo à população para que participe na consulta pública relativa ao projeto, apresentando as suas preocupações e contributos dentro dos prazos previstos.
Ao longo da noite, vários moradores tiveram oportunidade de partilhar testemunhos e preocupações relacionadas com a instalação da unidade.
Movimento de moradores quer mobilizar população
Em declarações à Voz de Alenquer, João Paulo Vitorino, da comissão de moradores, explicou que uma das prioridades passa por aumentar o conhecimento da população sobre o projeto e os seus possíveis impactos.
“O objetivo destas sessões é mobilizar mais as pessoas para os riscos de uma unidade daquela natureza”, afirmou, sublinhando que os moradores não se posicionam contra as energias renováveis ou contra a tecnologia do biometano, mas questionam a localização escolhida e os impactos associados.
“O próprio promotor não garante que não há cheiro”, afirmou o representante da comissão de moradores, considerando que esta é uma das questões que mais inquieta a população.
A circulação de veículos pesados é outra das preocupações destacadas. João Paulo Vitorino chama a atenção para as características das vias existentes e para o número de viagens que poderão ser necessárias para assegurar o funcionamento da unidade, incluindo o transporte das matérias-primas.
Moradores querem apoio técnico e científico
A comissão de moradores pretende agora reforçar a organização do movimento e reunir contributos de diferentes áreas.
João Paulo Vitorino defende a criação de uma equipa com competências técnicas, científicas, jurídicas e ambientais que permita analisar o projeto e fundamentar as posições da população.
“Para contestar isto não basta só reuniões de população a dizer que não concorda. Temos de ter factos”, afirmou, defendendo que os argumentos apresentados devem ser sustentados por estudos e conhecimentos técnicos, nomeadamente nas áreas da engenharia do ambiente e do direito.
O representante da comissão revelou ainda que existem jovens recém-formados na área do ambiente interessados em colaborar com o movimento.
A comissão pretende também trabalhar em articulação com a Câmara Municipal, tendo já solicitado um interlocutor das áreas jurídica e ambiental para acompanhar o processo, pedido que foi feito na reunião de câmara passada.
Durante a sessão foi ainda anunciada uma manifestação para segunda-feira, dia 14 de setembro, às 17 horas, nas Marés, iniciativa que pretende dar continuidade à contestação ao projeto.

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